quinta-feira!


hoje é quinta
mais um dia longe de você
mais um dia de lágrimas a escorrer
hoje é quinta, pena não ser ontem
pelo menos um dia perdido na história

hoje é quinta
de muita solidão
e com aperto no coração
continuo a viver

esta quinta só a tristeza incide
hoje  só queria saber
quando irei te ver
quando decidirei o que sinto
e, por enquanto neste labirinto viverei

é de lagrima meu dia, semana, meu mês
talvez sorria ao ver a fotografia
que me deixo o dia que eu fui feliz

talvez, a vida, numa fotografia
quem sabe? nunca se sabe? ninguém! vida?

pode ser que quinta possa encontrar
o rosto, acalanto de esperança
quem sabe quinta possa encontrar
o sonho, vontade de uma vida
quem sabe quinta possa encontrar
seus braços, desejo de abraços
quem sabe quinta, numa quinta do passado...

por maria luiza e pedro cotrim..

o  que me desanima é a falta de escolha!
é o não poder querer...
ou o não querer perder!
quando não se é permitido nem sonhar...
o que me desaqueta é ...
não saber o que quero,
e o que me é permitido querer.
até onde alimentar meus pensamentos,
que voam com o vento..
por que partir?
por que perder tudo aqui dentro...

por maria luiza e pedro cotrim..

pratu pormim


se parceiros um dia formos
esqueço as maldades da vida
e invento um conto
onde não haverá pranto
pinto tudo o que é preto de branco
subo nas nuvens
entro na lua
mato o dragão
se parceiros um dia formos
invento nossas regras e leis
faço da vida uma literatura eterna
vivo de arte
faço da musica nosso lema
se parceiro um dia formos
não haverá limite
a utopia agora incide
será a nossa verdade
se parceiros um dia formos.

por maria luiza

pralu


se parceiro, um dia formos,
pinto de azul esses versos,
faço poemas de suspiros
e cânticos de lágrimas.
se parceiros, um dia formos,
faço desenhos
com a alegria dos sonhos
e desses sonhos,
vivo a vivê-los
se parceiros, um dia formos...

...mór

por maria luiza e pedro cotrim

ainda choro,
em prantos me desmancho a lembrar ...
ainda te sinto aqui,
mesmo estando além.
as lágrimas teimam em escorrer,
pela alma, e sangra,
não obedecem as vontades.
há anos, resquícios de um amor inacabado,
que ainda está presente, resiste.
mais vívido do que o sangue que em mim pulsa.
a vontade de ir, me faz ficar e não me faz nada!
sonho com alguém q está por vir,
mas as vezes acho que já se foi ...

Diálogo dos desaventurados.

por: Maria Luiza e Pedro Cotrim

Por que somos reféns das relações humanas? Por que temos necessidade do homem, se ele é a única razão do nosso lamento? É pelo ser que se vive! Pelo ser que se procura! 
Para que consigamos satisfazer toda a incapacidade nossa, enquanto ser. Um ciclo vicioso em busca de alguns por quês. Por quês que quando respondidos  não estaremos mais preocupados com as respostas e, por isso, não teremos capacidade de reconhecê-las. Ou seja, condenados às interrogações, estaremos! E caímos pensando que não acontecerá outra vez. Mas sempre caímos, sempre são os mesmo erros mesquinhos! Pensamos que nunca irá se repetir, basta só acontecer novamente! E o tapa vem no mesmo lado do rosto, porém muito mais ardido. Por que somos seres solitários? Por que sempre precisamos de alguém do nosso lado? nem que seja só para ouvir... E quanto a essa nossa busca, que por mais que passamos a vida lutando por tentar ser algo, nos tornamos seres cada vez mais insatisfeitos e nada nunca supre!
E depois percebemos que tudo foi vão, não é?! Nós vivemos numa busca cega de alguém que "melhore" nossa vida! É ai que mora o perigo! Enfim quando se acaba todas essas perguntas, acaba-se também a vida. Porque não teríamos nada mais a absorver dela. Será que Freud chegou à plenitude e se esvaiu por todas as suas interrogações? Bem, ele mesmo se explica...

(Madrugadas férteis produzem literatura. Conversa entre os autores, às 5h48 de um 5 de fevereiro, via MSN).

A violência não é feita só de sangue


Basta! Não dá mais para ligar a TV, só desgraça! E não falo apenas da violência da pólvora e sangue, falo da violência moral que aflige a todos. Desde o planalto central até as esquinas de casa. Das mais simples transgressões, como uma simples mentira, para justificar a falta em um compromisso, até a verdadeira falta de comprometimento com os que providenciam o direito de pessoas “zelarem” politicamente por nossos direitos.
O problema vem de berço, de dentro de nossas casas, as crianças já são corrompidas desde pequenas. Uma chantagenzinha daqui, uma mentirinha dali e pronto, o caráter dos pequenos já se deformam. Ela cresce aprendendo que para manter a ordem geral, é permitido mentir ou pior, omitir.
Na verdade, as grades do berço são vendidas na primeira oportunidade, ou seja, os pais, escravos de um sistema mercantilista, esquecem de ensinar às suas crias valores básicos para que se transformem em cidadãos dignos.
Nas escolas, idem, cada vez mais cedo iniciados na vida acadêmica (não é exagero), os bebês não tem escolhas a não ser se preparar para garantir um futuro promissor, com bastante dinheiro e só. Amor, respeito, caridade, não estão no pacote. As crianças não têm oportunidade de aprender nada além de como sobreviver, ou enriquecer.
E assim cresce, mesmo que seu futuro não pertença a ele próprio e sim, ao tal sistema que dita as regras nunca questionadas. Como que numa sociedade hipodérmica, que não procura entender seu papel.
A violência açoita o homem aí, ao considerá-lo robô, com a função de manter a as coisas nos seus devidos lugares e assim “caminha a humanidade”, cegos pelas tradições.
E por falar em tradição, é ela o verdadeiro câncer dos homens. Só erramos porque copiamos os mesmos erros de nossos ancestrais. Desde que o homem se descobriu homem, utiliza a inteligência para sobreviver, sem pensar em como fazer.
É certo que as tradições também trazem os tais valores já citados e, que ainda existem escondidos no âmago do humano, porém, o mundo não permite que eles sejam colocados em prática. O mundo não para e por isso, fazer o correto se torna perda de tempo. Ainda bem que existem pessoas que ainda pensam o contrário.

trupe do sinal


Olha só! Tô famoso, apareci no jornal! Vocês não devem me conhecer, néh? Eu sou esse aí do meio, o de camisa preta, ou se preferirem, o A.S.R., como saiu na reportagem, me falaram que meu nome tem que sair desse jeito porque sou “di menor”, é, tenho só 15 anos, faço parte de uma trupe, a “Trupe do Sinal” – o nome é porque um dia, um tiozinho apareceu lá no nosso ponto e perguntou sobre a nossa trupe, nem sei o que quer dizer isso, mas gostamos do nome e ficou –, junto com esses dois da foto, que também não tem nomes, só iniciais. Mas o que importa o nome para nos que temos que viver assim, na rua, não podemos ir nem para um barraco, numa favela qualquer?
Eu tenho sorte de saber o meu nome, e completo, o grandão que tá embaixo, nem isso sabe, o apelido dele é “muleque” e nem ele sabe mais qual é o seu nome de verdade, o baixinho é o Joca. O primeiro já nasceu na rua, nunca teve um teto, nem de papelão, ele fala que viveu com a mãe até uns oito anos de idade, morando num viaduto aqui perto, onde nasceu, um dia o muleque tava na praia e se perdeu da mãe, a gente tem dúvida se ele se perdeu ou se fugiu, parece que ele apanhava muito dela. O pirralho, que é o outro apelido do Joca, nem sei o nome verdadeiro dele, parece que morava com uns tios lá no Jacarezinho, mas um dia apareceu aqui em Copa, todo roxo e falou que nunca mais voltava para casa.
E eu, bem..., eu nasci e morei um tempão no Canta Galo, nunca apanhei dos meus pais, vivíamos feliz, mesmo com todos os problemas. Éramos em seis, pai e mãe, minha avó materna, dois irmãos e eu. Ah, tinha dois cachorros também, eu brincava, jogava bola, ajudava a minha mãe, que era lavadeira, escutava histórias da minha vó, até estudar, eu estudei! Foi na escola que aprendi a escrever o meu nome, acho que só sei isso, mas pelo menos sei como é bonito o desenho que me representa. Era tudo muito bom, só que um dia, veio uma chuva forte e teve um desmoronamento e a minha casinha foi embora e com ela, a minha vida. Era de madrugada quando tudo aconteceu, tava todo mundo em casa, dormindo, só eu que não, tava na casa de um amigo, no pé do morro. Quando voltei para casa, vi um tanto de gente reunida e tentando me tirar dali, mas como sempre fui teimoso, consegui chegar onde eu achava que ia encontrar a minha casa, mas só tinha um tanto de barro e uns pedaços de algumas coisa que não se parecia com um barraco, perguntei pelos meus pais e antes de me responderem, pude ver os bombeiros saírem com um menininho na maca, era o meu irmãozinho de 3 anos, ele tava morto. Caí na realidade e em desespero, percebi que toda a minha família tava morta, saí correndo pra lugar nenhum, quando parei, tava perdido, acho que mais perdido pela situação do que pela localização, só sabia que nunca mais pisaria lá, onde um dia foi a minha casa, e assim, me tornei um menino de rua, dormindo debaixo das marquises e andando pelo Rio, sem obrigação de voltar. Foi nessa época que conheci o muleque e nos tornamos grandes amigos, ele era mais velho, na época eu tinha 11 e ele 13 anos, o pirralho apareceu uns três meses depois, com 8 anos e assim estava formada a “Trupe do Sinal”.
Hoje, nós três ganhamos a vida assim, como vocês estão vendo, fazendo shows nos picadeiros do Rio, principalmente de Copacabana, é um verdadeiro espetáculo, às vezes ganhamos uns bons trocados, mas nunca é muito, acho isso ótimo porque assim, não temos como cair em tentação de cair no mundo das drogas, agradeço a Deus todos os dias por não dar mais dinheiro para nós, senão, certamente estaríamos viciados em alguma coisa.
Bem, essa é a nossa história, a da “Trupe do Sinal”, acho que não dá nenhuma reportagem, mas é a nossa vida...
Ah, ia me esquecendo! Um dia escutei uma música, que depois descobri ser do Gabriel, O Pensador, a música chama “O Resto do Mundo” e é assim que vou terminar, com um trecho dela, que traduz perfeitamente o meu sonho:

“Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
O meu sonho é morar numa favela
Eu me chamo de cherôso como alguém me chamou
Mas pode me chamar do que quiser seu doto
Eu num tenho nome
Eu num tenho identidade
Eu num tenho nem certeza se eu sou gente de verdade
Eu num tenho nada
Mas gostaria de ter
Aproveita seu dotô e dá um trocado pra eu comer...”

É isso então, meu sonho é morar numa favela, mas enquanto isso não é possível, vou estar aqui, jogando bolinhas para o alto, a fim de conseguir algum trocado para comer.