Coroa de um dia,
Violetas sem pétalas,
Água sem rumo,
Sonhos que amedrontam.

Coroa de um dia,
Vida sem vida,
Brilho se apaga,
Cor desbotada.

Coroa de um dia,
Acaba, espinhos... acaba

de noite, a lua.
esperança, mais uma vez.
escolha?

recolhe a dúvida,
aposte no erro,
suba,
suma!
venha, meus braços te esperam...
Dói,
Corrói,
Rói,
Dodói.
momentos
inspira
ação de inspirar-se
respira
ação!
temores, vida
PULSA!
vive descontrole,
Viva!

Cai a máscara,
A dor se vai.
ATOR!
cortina se fecha,
o dia começa...
travou,
caiu,
boom!

levantei,
voltei...
o céu se torna um lugar inóspito, a vontade de subir se torna mais distante, aqui embaixo, mais calor, mais amor, mas temor...
sinto que a hora se aproxima, o medo me toma a alma, mas a partida se torna inevitável. Passo a pensar no próximo lado, na próxima vida, não que eu queria, mas faz parte da condenação.
Sou fraco, estou só. Busco tuas mãos, vejo em tua face, uma lágrima a escorrer.
O vazio se apresenta, escuridão.
A dor aumenta, coração se esforça, força acaba.
De mansinho, bem fininho, de mansinho...
Acordo, ainda estou aqui.
Meu livro é uma vida aberta,
Em prateleiras de bibliotecas,
Colocados por mãos sérias,
Dona de cabelos, sorriso... alma bela

Meu livro pertence a ela.

Parra Thais de Lima
se mate na paulista
e bomba na consolação,
pegue uma cuia,
monte um chimarrão!
bala de borracha,
cacetete nas mãos,
atrás de escudos,
efeito moral?
qual?
vida de merda,
será que vale acordar?
estar aqui para quê,
quero parar de apanhar...

deixe de ser otário,
finja menos acreditar,
ilusão meu bem,
triste fim de sonhar...

um mundo ideal?
HAHAHAHAHA
e ainda bate no peito,
acha que vão te salvar...

90 por cento,
vocês são a piada,
alegram o dia,
fazem o barbudinho gargalhar!
sorrio,
não tenho que sentir,
sorrio por sorrir,
mexer a boca,
mostrar os dentes.

um sorriso é só riso,
não tem porque,
não tem razão,
por isso, continuo assim,
sorrindo em vão.
pessoas,
apenas pessoas,
para elas,
apenas.
polcas, só sei fazer polcas.
nenhuma valsa,
nunca óperas...
sentimentalizar momentos,
ontem frio,
hoje, terror...
criação,
ação de ser cria,
criatura,
cobra criada...
não dessa, sanja.
numa outra?
quem sabe...
sorte!

Trupe do Sinal


Olha só! Tô famoso, apareci no jornal! Vocês não devem me conhecer, né? Eu sou esse aí do meio, o de camisa preta, ou se preferirem, o A.S.R., como saiu na reportagem, me falaram que meu nome tem que sair desse jeito porque sou “di menor”, é, tenho só 15 anos, faço parte de uma trupe, a “Trupe do Sinal” – o nome é porque um dia, um tiozinho apareceu lá no nosso ponto e perguntou sobre a nossa trupe, nem sei o que quer dizer isso, mas gostamos do nome e ficou –, junto com esses dois da foto, que também não tem nomes, só iniciais. Mas o que importa o nome para nós que temos que viver assim, na rua, não podemos ir nem para um barraco, numa favela qualquer?
Eu tenho sorte de saber o meu nome, e completo, o grandão que tá embaixo, nem isso sabe, o apelido dele é “Muleque” – nem ele sabe mais qual é o seu nome de verdade –, o baixinho é o Joca.
O primeiro já nasceu na rua, nunca teve um teto, nem de papelão. Ele fala que viveu com a mãe até uns oito anos de idade, morando num viaduto aqui perto, onde nasceu. Um dia o Muleque tava na praia e se perdeu da mãe, a gente tem dúvida se ele se perdeu ou se fugiu, parece que ele apanhava muito dela. O pirralho, que é o outro apelido do Joca – nem sei o nome verdadeiro dele – parece que morava com uns tios lá no Jacarezinho, mas um dia apareceu aqui em Copa, todo roxo e falou que nunca mais voltava para casa.
E eu, bem..., eu nasci e morei um tempão no Canta Galo, nunca apanhei dos meus pais, vivíamos felizes, mesmo com todos os problemas. Éramos seis, pai e mãe, minha avó materna, dois irmãos e eu. Ah, tinha dois cachorros também. Eu brincava, jogava bola, ajudava a minha mãe, que era lavadeira, escutava histórias da minha avó, até estudar, eu estudei! Foi na escola que aprendi a escrever o meu nome, acho que só sei isso, mas pelo menos sei como é bonito o desenho que me representa. Era tudomuito bom, só que um dia, veio uma chuva forte e minha casa desmoronou, minha casinha foi embora e com ela, a minha vida.
Era de madrugada quando tudo aconteceu. Estava todo mundo em casa, dormindo, só eu que não, eu estava na casa de um amigo, no pé do morro. Quando voltei para casa, vi um tanto de gente reunida. Eles tentaram me tirar dali, mas como sempre fui teimoso, consegui chegar onde eu achava que ia encontrar a minha casa, mas só tinha barro e uns pedaços de algumas coisas que não se parecia com um barraco.
Perguntei pelos meus pais e, antes de me responderem, pude ver os bombeiros saírem com um menininho na maca, era o meu irmãozinho de três anos, ele estava morto. Caí na realidade e em desespero, percebi que toda a minha família estava morta. Saí correndo pra lugar nenhum, quando parei, estava perdido, acho que mais perdido pela situação do que pela localização, só sabia que nunca mais pisaria lá, onde um dia foi a minha casa, e assim, me tornei um menino de rua, dormindo debaixo das marquises e andando pelo Rio, sem obrigação de voltar. Foi nessa época que conheci o Muleque e nos tornamos grandes amigos, ele era mais velho, na época eu tinha 11 e ele 13 anos, o pirralho apareceu uns três meses depois, tinha 8 anos. Assim estava formada a “Trupe do Sinal”.
Hoje, nós três ganhamos a vida assim, como vocês estão vendo, fazendo shows nos picadeiros do Rio, principalmente de Copacabana, é um verdadeiro espetáculo. Às vezes ganhamos uns bons trocados, mas nunca é muito, acho isso ótimo porque, assim, não temos como cair em tentação de cair no mundo das drogas. Agradeço a Deus todos os dias por não nos dar mais dinheiro, senão, certamente, estaríamos viciados em alguma coisa.
Bem, essa é a nossa história, a da “Trupe do Sinal”, acho que não dá nenhuma reportagem, mas é a nossa vida...
Ah, ia me esquecendo! Um dia escutei uma música, depois descobri que era do Gabriel, O Pensador, ela se chama “O Resto do Mundo” e é assim que vou terminar, com um trecho dela, que traduz perfeitamente o meu sonho:
“Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela Eu queria morar numa favela O meu sonho é morar numa favela Eu me chamo de cherôso como alguém me chamou Mas pode me chamar do que quiser seu doto Eu num tenho nome Eu num tenho identidade Eu num tenho nem certeza se eu sou gente de verdade Eu num tenho nada Mas gostaria de ter Aproveita seu dotô e dá um trocado pra eu comer...”
É isso então, meu sonho é morar numa favela, mas enquanto isso não é possível, vou estar aqui, jogando bolinhas para o alto, a fim de conseguir algum trocado para comer.
(OBS: o texto foi baseado na fotografia retirada do jornal Folha de São Paulo, do dia 04 de março de 2007, do caderno +mais! e na letra da música de Gabriel, O Pensador “O Resto do Mundo”, do álbum MTV Ao Vivo)
Mais uma vez incompreendido,
Fui tratado feito bandido.
Desse mundo fui banido,
Nesse sonho, escondido.
Fui bandido, incompreendido,
Escondido, estou banido.
Fui banido, sou bandido.
Incompreendido, escondido.
Depois de tanta justiça, 
Resolvi,
Virei mendigo.

Poxão

é de dia, acordo feliz,
lua se foi, ano que vem
saudades de tudo, mesmo do nada
vontade de bolo de chocolate...
tua boca, dentes rindo,
teu sabor, ranger, sorrir...
vida de araque,
riria Balzac,
ilhas iludidas,
sonhando continentes.
filhos da luz,
fluorescentes, se apagam,
noites escuras,
brilham luas,
sem almas próprias.

exércitos de milhões,
não valem um só,
gigante deitado,
é simples, um pó.

mar agitado,
em busca de paz!
Por ser bacana,
ficou pesado.
O peso é ouro.
O peso é caro.
O peso é osso,
Seu grande otário.
Por ser banana,
ficou pesado
excessos,
trajetos ignorados,
retrocessos,
dispersos em névoas de acasos,
vontades iludidas,
dores consumidas,
simples vontade de não ser.
preciso de poesia para colar em minha pele,
sonho com um lugar antigo,
fico confuso...

preciso de fé para montar o dragão,
desejo aquela foto rasgada,
tenho medo...

tenho águas aos meus pés,
busco uma ilha esquecida,
creio até...
No final do ponto,
A vida aponta.
A morte vem na ponta,
Por traz da vida pronta.

Começa onde termina,

Vem pro lado que vai,
Sai de cima, entra embaixo.
Vida e morte, um grande abraço!
nada, nada para fazer
muito a resolver.
tanto para pensar,
falta ânimo para olhar.

vontade até de acreditar,
medo de me aproximar.
sangue circula devagar,
vida teima em continuar...

Dia de todo dia

Na mudança de linha,
Passa boi, passa boiada.
Todo mundo enfileirado,
Nessa marcha organizada.

O relógio nunca para,
Toda gente atrasada. 
Fecha a cara logo cedo,
Essa massa apressada.

Um desejo vem à tona,
Um momento de lucidez.
A cena congelada,
Tudo para de uma vez.

Instante para pensar,
Vida para, consciência não.
Se um botão, eu apertar,
E pausar essa multidão.

Lembrar que o sorriso existe,
Sem precisar se explicar,
Sorrir por sorrir,
Simples fato a se pensar.

E o botão é liberado,
E essa gente continua.
Mas agora, bem mais leve,
Lembrando também, que a vida é sua.
dia louco para um domingo de marasmo,
entregue a pensamentos,
guiado por desilusões.
Triste por estar feliz,
rindo por desespero.
tento encontrar o ar,
afogo-me.
tantas coisas já vividas,
e eu ainda nem acordei.
sim
___não
______sim
___não
sim
______sinão
sim.sim.sim
__________NÃO
sinão__
______sim_nal

do lado outro


De um lado, sorriso,
De outro, a vida.
De um lado, tudo,
De outro, o sonho.
De um lado, amor,
Do outro, a esperança.
De um lado, brilho,
Do outro, o início da ponte...
                                                    Para Tássia Cardoso